domingo, 18 de novembro de 2012

Parque dos Falcões: saiba como é a visita guiada e a interação com as aves

Águia-chilena (Buteo melanoleucus) no Parque dos Falcões, em Sergipe - Por Tito Garcez
Águia-chilena (Buteo melanoleucus) no Parque dos Falcões, em Sergipe - Setembro de 2012
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Após ter feito uma introdução (clique aqui para ver) sobre o Parque dos Falcões, um importante centro de conservação de aves de rapina em Sergipe, irei mostrar algumas das interessantes e curiosas aves que podem ser apreciadas e até tocadas pelos visitantes. 


Coruja-orelhuda (Asio clamator) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Coruja-orelhuda (Asio clamator)

Para chegar a esse parque, é imprescindível passar pela rodovia BR-235 e seguir em direção à cidade de Itabaiana. Para quem está vindo de Aracaju, Salvador e Maceió, a principal opção é acessar a 235 através da BR-101. Já na 235, o parque está localizado cerca de 9 km após a entrada da cidade de Areia Branca. Antigamente havia uma placa enorme que indicava a estradinha de terra que dá acesso ao local, mas hoje em dia a lona é inexistente, restando assim só a estrutura metálica. Logo, não há qualquer sinalização que indique o acesso. A via de entrada está no que parece ser um pequeno povoado à beira da rodovia, mais precisamente à direita dela, após uma via secundária de paralelepípedos. Tendo dúvidas, é aconselhável pedir informação. Após encontrar a estrada de terra, percorre-se por volta de 2,5 km até a entrada do Parque dos Falcões.


Harpia (Harpia harpyja) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Harpia (Harpia harpyja) 

Ainda falando sobre o acesso, vale a pena citar uma curiosidade que pode ser vista na estrada de terra, bem em frente a uma casa sem reboco. Ali foi construído um monumento em homenagem ao 'Urubu Branco', um urubu albino que, por ser raro, há alguns anos virou o xodó do parque. Contudo, após ter sido roubado por traficantes junto com outras aves, dias depois foi lamentavelmente encontrado morto.

Da estrada de terra já é possível ver a casa principal do parque tendo ao fundo a imponente Serra de Itabaiana
Da estrada de terra já é possível ver a casa principal do parque tendo ao fundo a imponente Serra de Itabaiana

Bom, ao chegar à entrada, logo após o portão, o visitante já dá de cara com a toca de algumas Corujas-buraqueiras (Athene cunicularia), que são praticamente as "cães de guarda" do lugar. Elas estão sempre atentas a tudo e podem sinalizar a presença de intrusos. Seguindo em direção à casa principal, o visitante já tem a oportunidade de passar por alguns viveiros e, no percurso, já avista muitas aves, sejam elas de rapina ou não. No lago localizado à esquerda, é possível ver muitos patos e gansos e, no decorrer do trajeto, é possível ver lindos pavões, guinés, galinhas e até coelhos. Enfim, tem de tudo.


Pavão fêmea (ou pavôa) e Guiné (ou Galinha-d'angola) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Pavão fêmea (ou pavôa) e Guiné (ou Galinha-d'angola)

Ao chegar à casa principal, o visitante acomoda-se na sala para assistir a um documentário de introdução ao  parque, que mostra um pouco do que poderá ser visto na visita guiada. Não espere um auditório e nem nada do tipo, pois todas as instalações do parque são simples. O visitante pode assistir sentado no sofá ou em cadeiras. O mais legal é que, dentro da sala, a pessoa já pode ter a oportunidade de interagir com duas corujas. Uma é muito pequena e fica numa espécie de "poleiro". A outra, uma das mais belas do parque, é uma Coruja-suindara (Tyto alba) que fica solta, voa e pula pelos móveis. Por muitos momentos, você acaba prestando mais atenção nela do que no próprio documentário.


José Percílio e um Gavião-carcará (Caracara plancus), no Parque dos Falcões, em Sergipe
José Percílio e um Gavião-carcará (Caracara plancus)

Após assistir ao vídeo, chega a hora de sair para conhecer melhor o parque e suas aves. Na varanda da casa, o guia, que é nada mais nada menos do que o fundador do parque, o José Percílio, faz uma demonstração que deixa claro para todos que ele possui conhecimento de técnicas de dominação das aves. Um Gavião-carcará (Caracara plancus) praticamente entra em sono profundo nos braços do tratador e não "acorda" nem quando vai parar nos braços de uma visitante. 


Visitantes acompanham a visita guiada no Parque dos Falcões, em Sergipe
Visitantes acompanham a visita guiada

Dando prosseguimento à visita, já fora da casa, é um Urubu-rei (Sarcoramphus papa) a primeira ave a ser avistada num viveiro. Percílio começa a falar um pouco sobre os animais, dando informações sobre os hábitos ou a forma como elas chegaram para receber cuidados no parque. Após o urubu, são vistos Gaviões-de-cauda-branca (Buteo albicaudatus), Gaviões-pretos (Buteo brachyurus) e Corujas-murucututu (Pulsatrix perspicillata). Essa última espécie está na lista dos animais ameaçados de extinção. Encontrá-las na natureza tem sido cada vez mais raro.


Gavião-preto (Buteo brachyurus) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Gavião-preto (Buteo brachyurus)

Na segunda parte da visita às aves expostas em viveiros, a primeira a ser vista é nada mais nada menos que uma imponente Harpia (Harpia harpyja), a maior ave de rapina das Américas e uma das maiores do mundo. Como muitos dos animais que chegam ao parque, essa foi levada após ter sido resgatada das mãos de traficantes de animais na Amazônia. A ave impressiona por seu tamanho e por sua força.  


Harpia (Harpia harpyja) demonstra o seu porte e força no Parque dos Falcões, em Sergipe
Harpia (Harpia harpyja) demonstra o seu porte e força

Depois da Harpia, podem ser vistos Gaviões-caboclos (Buteogallus meridionalis), mais Gaviões-pretos (Buteo brachyurus) e Águias-chilenas (Buteo melanoleucus), que apesar de terem esse nome, são muito comuns em grande parte do Brasil. Em seguida, o visitante chega à frente dos viveiros de muitos Carcarás, e um deles acaba por chamar a atenção, pois é o "cantinho" do Tito, o carcará fêmea que, como foi dito na postagem anterior, há mais de duas décadas é um companheiro inseparável do Percílio. 


Gavião-caboclo (Buteogallus meridionalis) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Gavião-caboclo (Buteogallus meridionalis)

Após a visita aos viveiros dos Gaviões-carcará, ainda é possível ver uma Seriema e outras duas espécies de corujas, sendo uma delas a Coruja-orelhuda (Asio clamator). No último viveiro, vive um animalzinho que é uma das alegrias do parque: um Tamanduá-mirim. Pois é, de fato não é uma ave, mas ele é tão especial que ganhou um espaço no parque e também na visita guiada. Por que digo isso?! Simplesmente porque é possível interagir com ele, colocá-lo no colo, nas costas. Ele adora ficar em cima das pessoas e, mais ainda, "procurar formigas" nos ouvidos delas. Os Tamanduás se alimentam principalmente de formigas e cupins, por isso eles possuem línguas enormes que ajudam na captura desses insetos. Então, ao que tudo indica, o tamanduazinho do parque deve associar nossas orelhas à formigueiros repletos de suculentas formigas. Bem, depois dessa, é melhor "virar a página"...      


Momento de interação de visitante com Tamanduá-mirim no Parque dos Falcões, em Sergipe
Visitante interage com Tamanduá-mirim

Na terceira parte da visualização dos viveiros das aves menores. É nesse momento que os falcões podem ser vistos. Os primeiros a serem visualizados são Falcões-quiriquiris (Falco sparverius), que surpreendem pelo porte digamos que diminuto. No viveiro ao lado, ficam os Falcões-de-coleira (Falco femoralis), esses sim de tamanho ligeiramente maior. Apesar da dimensão, essas são aves extremamente rápidas e ágeis. Ao lado delas, ficam as Corujas-caburé (Glaucidium brasilianum) e vizinhas estão as Corujas-do-mato (Otos choliba).


Corujas-do-mato (Otos choliba) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Corujas-do-mato (Otos choliba) 

Encerrada a visualização das aves nos viveiros, chega o momento principal, que é o de interação. Aos poucos elas vão chegando nas mãos de funcionários e voluntários do parque e cada visitante tem a oportunidade de tocá-las, acariciá-las, segurá-las e deixar que fiquem sobre suas mãos, ombro, cabeça, enfim, onde se desejar. Primeiro chegam as corujas, e depois os gaviões. Acredito que todas as aves liberadas para interação com os visitantes sejam treinadas e/ou já estejam extremamente acostumadas com as pessoas, pois, quando estão com você, elas agem com uma tranquilidade sem tamanho. São tranquilas mesmo em frente às câmeras. As pessoas mais corajosos têm, inclusive, a oportunidade de encarar um Carcará. Vai encarar?!  


Coruja-caburé (Glaucidium brasilianum) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Coruja-caburé (Glaucidium brasilianum) 

Como nem tudo são flores, é principalmente no momento de interação com as aves que o 'Psicopata' pode atacar. O que eu falo é verdade, mas não criemos pânico. Psicopata é o apelido dado por Percílio para um Gavião-carijó (Rupornis magnirostris) que foi treinado para atacar intrusos do parque. Logo, de vez em quando ele costuma dar voos rasantes perto da cabeça de algumas pessoas e pode até pousar em algumas delas. Mas não há porque se apavorar, visto que é sempre bom que haja o fator tensão para que as coisas fiquem mais emocionantes.

Visitante interage com Gavião-carcará (Caracara plancus) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Visitante interage com Gavião-carcará (Caracara plancus)

Bom, a visitação costuma terminar após a interação com as aves. Sei que algumas vezes na semana o visitante tem a oportunidade de acompanhar o treinamento de alguns dos animais, contudo não sei precisar os dias e horários. Mesmo que não dê para presenciar o treino, uma visita "normal" ao parque é algo altamente recomendável. Visite e ajude a manter esse centro de conservação, pois grande parte do dinheiro conseguido para manter as aves vem da arrecadação dos ingressos. ;)


Coruja escura no parque dos falcões, em Sergipe
Coruja-diabo

Para conhecer o Parque dos Falcões, a visita precisa ser agendada. Passeios podem ser feitos todos os dias no turno da manhã ou tarde. Para agendar e ter mais informações, é só ligar para (+5579)-9962-5457 ou para (+5579)-9131-3496. O valor por pessoa é de R$ 20, e não há diferenciação para estudantes, idosos ou professores. Acesse também o site do parque: www.parquedosfalcoes.com.br


Corujas-murucututu (Pulsatrix perspicillata) no Parque dos Falcões, em Sergipe
Corujas-murucututu (Pulsatrix perspicillata)


8 comentários:

  1. Adorei, ótima informação, pra muita gente que ainda não conhece.

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  2. Quando fui lá, em 2013, tive a oportunidade de batizar uma corujinh recém chegada! Adorei tudo....não queria sair de lá!

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    1. Pois é, eles dão a oportunidade de que os visitantes possam, em determinados momentos, escolher nomes para os recém chegados. :)

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    2. Tito, amei suas fotos... são lindas... sugira ao Percílio que as coloque no facebook também... porque não tem nada la que mostre a grandeza do trabalho realizado por ele... e essa dispersão das fotos pra serem achadas em outro lugar dificulta até a divulgação de quem ama esse tipo de trabalho. Por favor... Abço. Obrigada..

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    3. Olá, Vilma! Fico contente em saber que gostou das fotos! Sobre o que você comentou, talvez esteja se referindo a uma das páginas criadas a respeito do Parque dos Falcões. Uma delas não é oficial do parque, e nela de fato não há muitas imagens. Contudo, me parece que na outra, que é oficial, existe mais material.

      Abraços,
      Tito

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  3. Muito bom amigo! Deus o abençoe sempre. Excelente trabalho.

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  4. Agradeço a visita ao blog, Alexandre! Abraços!

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