sábado, 6 de julho de 2013

Gruta da Lapinha: conheça essa que é uma das principais do Circuito das Grutas Mineiras

Minas não tem mar, mas tem parques, serras e grutas que são de dar inveja a muitos estados. Existe, na região central, mais precisamente nas proximidades da capital, Belo Horizonte, o chamado Circuito das Grutas, que engloba quase uma dezena de municípios, dos quais se destacam  Cordisburgo, Sete Lagoas e Lagoa Santa. Nesse relato, conheceremos melhor a gruta da Lapinha, localizada no último município citado.


Formações da gruta da Lapinha valorizadas com a iluminação em LED
Formações valorizadas com a iluminação em LED (Fotos de maio de 2013)
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A gruta da Lapinha é uma das mais famosas e visitadas do circuito, principalmente pela  sua proximidade com Belo Horizonte. Localizada a apenas 50 km da capital, a Lapinha faz parte do Parque Estadual do Sumidouro e está inserida na área de proteção ambiental da APA Carste de Lagoa Santa. 


Caminho até a entrada da gruta da Lapinha, em Minas Gerais
Caminho até a entrada da gruta


A Lapinha e mais de uma centena de cavernas da região foram descobertas e exploradas a partir de 1835 por Peter Lund, um dinamarquês que estudava, no Brasil, a botânica e a zoologia principalmente na região Sudeste do país, e que decidiu estabelecer-se definitivamente em Lagoa Santa, para aprofundar seus estudos a respeito de fósseis e da Espeleologia, ou, melhor dizendo, do estudo de cavernas. 


Passarela de acesso ao museu Peter Lund, em Lagoa Santa - Minas Gerais
Passarela de acesso ao museu Peter Lund


A visita

Antes de iniciar a visita à gruta, é necessário seguir para o prédio onde, desde setembro de 2012, funciona o Museu Peter Lund. Lá, a taxa de visitação (R$15,00 a inteira) é paga e os grupos para a visita guiada começam a ser formados. As visitas ocorrem de terça a domingo das 9h às 16h. Após as instruções iniciais, inclusive a de que não se pode fotografar (infelizmente) o interior do prédio que abriga o museu,  o visitante conhece melhor a respeito da vida do norueguês e de suas descobertas, tendo sido ele inclusive o responsável pela descoberta da ossada do chamado “homem de Lagoa Santa", que viveu na região há pelo menos 12 mil anos. Na última sala a ser visitada, é possível visualizar alguns fósseis de animais, os quais foram cedidos por três anos pelo Museu de História Natural da Dinamarca. Só não espere ver o esqueleto inteiro de animais, somente algumas partes do corpo.  


Passarela e entrada do museu Peter Lund, na gruta da Lapinha, em Lagoa Santa - Minas Gerai
Passarela e entrada do museu Peter Lund


Após a visita ao museu, todos recebem capacetes e são instruídos no caminho até a entrada da gruta. As principais instruções são de que no seu interior não se deve tocar em nada que não sejam os corrimões das escadas, também de que não é aconselhável que se visite cavernas calçando sandálias, por conta do risco de ser picado por algum dos animais que habitam o lugar, e também que deve-se sempre estar próximo ao grupo, principalmente para evitar dar de cara com algum ser vivo que não seja o ser humano. 


Entrada da gruta da Lapinha, em Minas Gerais, com guia dando as explicações iniciais ao grupo
Entrada da gruta da Lapinha, com guia dando as explicações iniciais ao grupo


Essas recomendações fazem todo sentido, e eis a explicação: sobre não poder tocar em nada além dos corrimões, isso é justificado pelo tempo que algumas formações demoram a surgir, afinal muitas delas têm milhões de anos, e também para evitar que você toque, sem querer, numa aranha, por exemplo. E pode apostar que elas estão lá! A respeito de não se distanciar do grupo, a explicação é simples: normalmente, no mínimo dois guias acompanham o grupo, e esses estão a todo o tempo atentos ao entorno e iluminando locais escuros com suas lanternas, tentando evitar assim que alguém se aproxime de algum habitante da caverna. 


Primeira formação a ser visualizada logo na entrada da gruta da Lapinha, em Minas Gerais
Primeira formação a ser visualizada logo na entrada da gruta


Na visita à gruta, que possui 700 metros de extensão e 40 de profundidade, dos quais só 511 m estão abertos à visitação, o passeio dura por volta de 40 minutos e o visitante tem a oportunidade de visitar 15 salões, a maioria deles com iluminação em LED que valoriza ainda mais os detalhes das formações, sendo elas, principalmente, as estalactites (formações minerais formadas no teto) e estalagmites (formações formadas no chão), que recebem nomes curiosos de acordo com o aspecto. Mas, logo no salão de entrada, é possível ver algo muito interessante: como há muito tempo por ali passou um rio, o teto possui um interessante e colorido desenho.  


Formações da gruta da Lapinha valorizadas com a iluminação em LED - Lagoa Santa - Minas Gerais
Formações novamente valorizadas pela iluminação


A explicação para a formação de estalactites e estalagmites é fácil: elas são formadas pela ação do gotejamento de água que desce pelas fendas de rochas calcárias e cai no mesmo lugar por milhares ou até milhões de anos. O crescimento anual das formações gira em torno de 0,01mm a 03mm, e a tendência, após muito tempo, é de que haja um encontro entre as formações que descem e as que sobem, afinal as que surgem do chão são resultado do gotejamento das que estão no teto. Quando se encontram, viram um novo espeleotema (é como são chamadas as formações existentes nas cavernas): a coluna. 


Detalhe do teto na entrada da gruta da Lapinha, em Lagoa Santa - Minas Gerais
Detalhe do teto na entrada da gruta 


Deixando as informações técnicas de lado, e voltando a falar sobre a visita em si, é importante dizer que existe parada para explicação detalhada em todos os salões visitados, e é possível fotografar ou filmar tudo o que é visto fora do museu Peter Lund. Até é possível fotografar com flash, contudo, se o objetivo for registrar as formações valorizadas com a iluminação colorida, recomendo fortemente que as fotografias sejam feitas sem utilizá-lo. Se encontrar algum cantinho que queira fotografar, mas que esteja um tanto escuro, peça a um dos guias para iluminar o local com a lanterna e divirta-se nos cliques. 


Grupo recebe explicações sobre os morcegos da gruta da Lapinha, em Minas Gerais
Grupo recebe explicações sobre alguns dos habitantes da gruta: os morcegos.  


Aranha de porte médio vista na gruta da Lapinha, em Minas Gerais
Outro habitante registrado no momento da visita: uma aranha de porte médio.


Ao final da visita, outro fato muito curioso é exposto: o de que milhões de anos atrás havia mar naquela região, e isso é notado facilmente através da existência de conchas que são mostradas no último salão. É interessante notar o que a transformação de milhões de anos fez com o nosso planeta, não é?!    


Uma das escadas metálicas que facilitam o acesso a alguns salões da gruta da Lapinha, em Minas Gerais
Uma das escadas metálicas que facilitam o acesso a alguns salões da gruta


Uma das escadas metálicas que facilitam o acesso a alguns salões da gruta da Lapinha, em Minas Gerais
Mais uma escada metálica



Fora da gruta, é possível curtir um pouco do parque que tem uma agradável área verde, e, por um lado, é cercado por um interessante paredão rochoso. No gramado, é possível curtir um despretensioso piquenique ou ainda aproveitar para fazer uma sessão de fotos. Existe, ainda, um museu arqueológico, mas como não pude visitá-lo, ficarei devendo falar sobre ele. 


Últimas formações a serem vistas dentro da gruta da Lapinha, em Lagoa Santa - Minas Gerais
Últimas formações a serem vistas dentro da gruta


Chegando lá

A gruta está localizada fora da zona urbana de Lagoa Santa, a uma distância de aproximadamente 15 Km. De carro, desde Belo Horizonte, é necessário pegar a rodovia chamada "Linha Verde" e seguir sentido Lagoa Santa. Estando na cidade, há placas sinalizando a direção da gruta. Se o objetivo for chegar lá de ônibus, a partir do terminal existente na rodoviária de BH, é possível ir até a rodoviária de Lagoa Santa em linhas que seguem em diversos horários (no domingo, diminuem os horários de saída). Estando a rodoviária de Lagoa Santa, existem 3 opções: tentar pegar, de manhã cedo, a linha que vai direto ao parque, mas que só tem um horário diário (ida às 8h e volta às 17h); pegar algum ônibus da linha Lapinha, que te deixa no povoado de mesmo nome - mais especificamente no entorno da pracinha do lugar, mas que te faz caminhar uns 15 min, por aproximadamente 2 Km, até a entrada da gruta; ou ainda é possível pegar um táxi que custará entre R$30,00 e R$40,00 (tem que negociar), mas que só vale a pena se o horário for apertado. 

Paredão rochoso em meio a muito verde na gruta da Lapinha, em Minas Gerais
Paredão rochoso em meio a muito verde


Pontos positivos: o entorno natural, cercado por mata nativa; a atenção dos guias na visita guiada; e, é claro, conhecer um pouco mais sobre cavernas e suas formações.

Pontos negativos: o museu Peter Lund, que poderia ser melhor aproveitado, conter mais peças e ser mais interativo; e a impossibilidade de se fotografar o dito espaço.


Detalhes do interior da gruta da Lapinha, em Lagoa Santa - Minas Gerais
Detalhes do interior da gruta


Uma visita à gruta é uma verdadeira viagem no tempo, uma viagem de milhões de anos! ;)


Escadaria da saída da gruta da Lapinha, em Lagoa Santa - Minas Gerais
Escadaria de saída da gruta

8 comentários:

  1. Eu quero ir nesse lugarr, que lindo

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    1. É incrível mesmo! Agora você já sabe como chegar! =)

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    2. eu fui com a minha escola,e maneiro mesmo.O problema e que a um certo ponto da gruta,que começa um cheiro meiofrte,nessa hora eu ate fiquei tonta,mais a guia explicou que era os morcegos,mais não precisa ficar com medo rsrs.

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  2. Olá! Por favor, você poderia colocar mais informações sobre o transporte público de Lagoa Santa até Lapinha (para caminhar até a gruta). É muito difícil encontrar informações confiáveis sobre isso na internet.
    Mesmo assim, seu relato foi importantíssimo para decidir ir visitar o local.

    Valeu. :)

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    1. Olá! :)

      Muito obrigado pela sugestão! Aproveitei para atualizar o texto e acrescentar algumas informações, inclusive sobre como chegar ao lugar. Fico contente em saber que o relato foi útil. :)

      Abraços!

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  3. Quero visitar a Gruta da Lapinha e não encontro informações de como chegar de BH, qual ônibus e preços. Próximo tem lanchonete e restaurantes?

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    1. Oi, Ana!

      Então, no texto - que é de 2013 - tem informação sobre linha de ônibus, preço etc. Algo deve ter mudado, mas dá para ter uma base. Próximo tem no máximo lanchonete. Na dúvida, leve um lanchinho.

      Abraços!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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