segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Santana do São Francisco: à margem do Rio São Francisco está a antiga Carrapicho, a Capital Sergipana da Cerâmica

Artesanato em barro em Santana do São Francisco (Carrapicho), em Sergipe - Por Tito Garcez em 2014
Confecção de Cerâmica em Santana do São Francisco, em Sergipe
 Por Tito Garcez em janeiro de 2014

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Santana do São Francisco, apesar de sua localização privilegiada à margem do Rio São Francisco e muito próxima de importantes cidades da região do Baixo São Francisco como Neópolis - em Sergipe, e Penedo - em Alagoas, aparentemente não possui nenhum ponto turístico de destaque. Contudo, é nessa cidadezinha que, de acordo com o censo 2010, possui apenas pouco mais de 7 mil habitantes, existe uma interessante manifestação da cultura popular. Lá são confeccionados, artesanalmente, muitos dos itens de cerâmica que são encontrados em locais com um fluxo maior de turistas, como a própria capital do estado, Aracaju - que está a 125 km dali - mas que em Santana normalmente podem ser comprados por um valor de menos da metade do que costuma ser encontrado em outros locais. 

Momento de moldar o barro e transformá-lo em um objeto
Na Cooperativa, chega o momento de moldar o barro e transformá-lo em um objeto
Antigamente, Santana do São Francisco era chamada de Carrapicho, nome que ainda é dito principalmente pelos mais antigos, pois foi o nome da fazenda que lá existiu e de onde foi originado o povoado que levava o mesmo nome. A fabricação de objetivos de barro é o que dá mais movimento à cidade, e é nessa ramo que boa parte dos moradores atua. Transitando pelas ruas, principalmente da área central, é possível constatar como a cerâmica faz parte da vida das pessoas, e isso justifica o fato de ela ser chamada de Capital Sergipana da Cerâmica. São muitas as casas que, além de servir para moradia, foram transformadas em lojas e galpões. Nelas, é possível apenas comprar vasos, enfeites de jardim e de parede, bacias, fontes, entre tantas outras coisas, como também se pode observar a pintura dos objetos ou até mesmo a confecção desses, que é a parte mais interessante.


Cerâmicas e cavalo em Carrapicho


Matéria prima e objetos de cerâmica recém criados
Abaixo, a matéria prima. Acima, objetos recém criados
Para quem tem a curiosidade de observar todo o processo de produção, o ideal é visitar a chamada Cooperativa, que fica em um local “escondido”, não sinalizado, que só pode ser localizado pedindo informação às pessoas, sempre solícitas, nas ruas ou nas portas das casas. No galpão da Cooperativa é possível ver desde a matéria prima – o barro - que já foi preparado e passou um tempo “descansando”, até os itens já prontos. Os trabalhadores possuem funções bem definidas e divididas. Existe o que “afofa” a massa para que essa seja trabalhada, bem como tem os que, em suas pequenas máquinas, são responsáveis por moldar e criar os mais variados objetos, com destaque para vasos e bacias. Enquanto isso, uns levam os itens para secar ao sol e outros carregam mais massa para cima e para baixo. 



Exército de porquinhos (cofrinhos) feitos de cerâmica
"Exército de porquinhos" de cerâmica
Sem dúvida, a melhor parte é observar a agilidade e experiência daqueles que são responsáveis por produzir os objetos. Com as mãos livres e sempre molhadas, eles “dão vida”, dão o formato rapidamente a coisas que, aparentemente frágeis, em um primeiro momento nos fazem pensar que podem não resistir à tamanha velocidade e pressão, mas logo observamos que essas vão ficando bem sólidas quando os experientes artesãos prosseguem para a parte do acabamento. Finalizado esse processo, o item recém-criado é acomodado ao lado de outros iguais, e é assim que temos ideia da quantidade de objetos que são criados diariamente. No galpão, podemos ver tanto um “exército de vasinhos”, quanto também um “exército de porquinhos”, quase prontos para serem abatidos... Ou melhor, prontos para serem quebrados, afinal acredito que eram dezenas de cofrinhos. Ao lado do galpão, foi montada uma loja onde é colocada à venda parte dos produtos feitos ali ao lado.

Lenha sendo transportada para posterior preparação da cerâmica
Lenha sendo transportada para  posterior preparação da cerâmica

Momento do amasso da massa para confecção de cerâmica
Momento do "amasso" da massa
Caso o objetivo do visitante seja só conhecer um pouco do trabalho final do que é feito pelos artesãos da cidade, logo na entrada dela é possível visitar um pequeno mercado que é o principal espaço da região para exposição e venda dos produtos que lá são fabricados. No mercado, são expostos principalmente os itens mais coloridos, por vezes extravagantes. Se o objetivo for ver e comprar objetos mais discretos, inclusive sem pintura, com aquela tonalidade natural da cerâmica, o ideal é visitar as casas/lojas e até mesmo a cooperativa.

Além de visitar o mercado, a cooperativa e as lojinhas, vale a pena fazer uma visitinha rápida à agradável praça da Igreja Matriz de Nossa Senhora Sant’Ana, que possibilita uma interessante vista para o Rio São Francisco. Bem perto dali, mais especificamente à direita dos fundos da igrejinha, é possível encontrar um pequeno mirante que além de ser um convite ao descanso, também serve para a apreciação do rio. 


Confecção de Cerâmica em Santana do São Francisco, em Sergipe
Cerâmica produzida na Cooperativa



Por não estar muito distante tanto de Aracaju quanto de Maceió, pernoitar na cidade pode não ser necessário. Mas se a ideia for dormir por lá, como Santana aparentemente não possui nenhum meio de hospedagem, as duas outras cidades citadas no começo do texto possuem algumas opções, com destaque para Penedo, que é sem dúvida o principal destino turístico do entorno.

Corujas em cerâmica produzidas em Santana do São Francisco, antiga Carrapicho, em Sergipe
Corujas ainda sem os olhos (bolas de gude) 









Se a ideia for fazer um bate e volta, não é difícil chegar tanto de Aracaju, como de Maceió. A partir de Aracaju pode-se chegar - pagando aproximadamente R$13,00 - através de linhas de micro-ônibus da Coopertalse, que seguem das rodoviárias Velha e Nova diretamente para Santana do São Francisco ou pode-se, ainda, tomar uma linha que vá a Neópolis - pois possui mais horários disponíveis- e de lá pegar um táxi ou moto táxi direto ao destino que fica a poucos quilômetros. De carro, têm-se que seguir pela BR-101 e depois, em frente a um posto da Polícia Rodoviária Federal, entrar na rodovia SE-335, que dá acesso às cidades de Japoatã, Neópolis, Pacatuba, Ilha das Flores e Brejo Grande (onde fica a foz do São Francisco). 


Senhor espera mercadorias que chegam em pequenos barcos que navegam através do rio São Francisco
Senhor espera mercadorias que chegam em pequenos barcos que navegam através do rio São Francisco

Vasinho recebendo o acabamento
A partir de Maceió, tanto de ônibus como de carro, o melhor é seguir direto à cidade de Penedo e de lá atravessar o rio São Francisco em uma balsa que não costuma demorar mais que 15 minutos para ir da margem alagoana à sergipana. O que pode demorar é a espera na fila (no caso de se estar de carro) em determinados horários. A travessia em automóvel “comum” custa aproximadamente R$19,00.  

Cenas do cotidiano da cidade localizada
à margem do rio São Francisco
 













Enfim, Santana do São Francisco pode ser um local pouco conhecido e visitado, mas com certeza é um interessante destino de interesse turístico não só por sua localização privilegiada e pelo fato de produzir itens que possuem total ligação com o Turismo, mas principalmente pela arte daqueles que trabalham com o barro, que prossegue de geração em geração e pelo modo pelo qual tudo é produzido... Artesanalmente... Tranquilamente... Faça uma visita! ;)


Rio São Francisco que nesse trecho é muito utilizado para transporte de pessoas e carga entre os estados de Sergipe e Alagoas
Rio São Francisco que nesse trecho é muito utilizado para transporte de pessoas e carga entre os estados de Sergipe e Alagoas

Igreja Matriz de Nossa Senhora Sant'Ana, em Santana do São Francisco


2 comentários:

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