sexta-feira, 14 de março de 2014

Amazônia Paraense: conhecendo a Ilha de Cotijuba e a Praia do Vai-Quem-Quer

Após partir do Terminal Hidroviário (na verdade, um trapiche comum) de Icoaraci – que é um distrito de Belém - e navegar pela baía do Guajará  por cerca de 45 minutos  por entre algumas ilhas e observar um pouco da vida dos ribeirinhos, chegamos à ilha de Cotijuba, que, curiosamente, ainda faz parte do município de Belém, apesar da distância e da diferença no estilo de vida levado por quem ali vive. É nessa ilha que está uma das praias mais bonitas da região e que possui um nome muito curioso: Vai-Quem-Quer. E é para lá que vamos! (Se ainda não viu a publicação inicial, clique aqui para acompanhar todas as etapas desse passeio)

Vegetação e faixa de areia da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Vegetação e faixa de areia da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará. Por Tito Garcez em 2014
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Aproveite e acompanhe outras postagens sobre a Amazônia, conferindo relatos e muitas fotos de lindos lugares localizados nos estados do Pará e do Amapá (clique nos nomes para acessar).  

   Ruínas da antiga prisão e do Educandário Nogueira de Faria, na ilha de Cotijuba, no Pará
Ruínas do Educandário Nogueira de Faria
Ao desembarcar na ilha, a impressão inicial é de se estar em um local pitoresco, parado no tempo. Caminhando pelo trapiche, as árvores altas se destacam, mas, à frente, o que mais chama a atenção é uma curiosa construção em ruínas, que é a primeira feita em alvenaria que vemos desde que saímos de Icoaraci. Nela funcionava o antigo Educandário Nogueira de Faria, que em um primeiro momento me fez pensar que fosse uma simples instituição de ensino, mas logo me foi dito que era, na verdade, um local construído para abrigar menores infratores nos anos 30 e que serviu, também, como prisão para presos políticos durante o regime militar. Nesse aspecto a ilha não guarda boas lembranças, mas falemos das coisas boas...

Passarela de acesso ao porto da ilha de Cotijuba, no Pará
Passarela de acesso ao terminal hidroviário da ilha de Cotijuba

Cavalo utilizado para transporte de pessoas em charrete na ilha de Cotijuba, no Pará
Cavalo utilizado para transporte de pessoas


Como a ilha é uma Área de Proteção Ambiental, não são permitidos grandes veículos motorizados – salvo algumas exceções – por isso, para se transitar por lá e inclusive para se chegar à esperada praia do Vai-Quem-Quer, as principais opções disponíveis são: charretes que ficam bem em frente ao antigo Educandário; motocicletas, que são muito utilizadas pelos moradores; o chamado "bondinho" puxado por um trator que costuma funcionar principalmente nos dias de maior movimento; e, por fim, as pernas, afinal, é perfeitamente possível ir caminhando, apesar de ser aconselhável para quem tem muita disposição, já que calculo que o tempo de caminhada seria de por volta de uma hora. De charrete, ida e volta à praia sai por um valor que gira em torno de R$50,00 e que pode ser dividido por até quatro pessoas. De bondinho, o valor cai para por volta de R$6,00 o trecho, contudo, nos dias úteis ele só parece funcionar uma vez na manhã e outra ao final da tarde.



Barco na ilha de Cotijuba, em Belém, no Pará
Barco na ilha de Cotijuba

Búfalo utilizado para transporte de carga na ilha de Cotijuba, em Belém, no Pará
Búfalo utilizado para transporte de carga na ilha de Cotijuba
Apesar de o prédio em ruína dar ao lugar, inicialmente, ares de um local abandonado, essa impressão muda quando começamos a transitar pelo povoado através da sua principal rua, que é de terra do começo ao fim. Ele mostra ser movimentado, com pessoas indo de um lado a outro à pé, à cavalo, de moto ou até de búfalo – que lá também é utilizado para substituir os caminhões de lixo, talvez por influência da ilha “vizinha”, a do Marajó, que fica a algumas horas dali. Como a visita foi feita no chamado inverno amazônico, a estrada possuía muitas poças e estava muito molhada – mais um motivo para não se ir à praia à pé. E foi transitando por ela que fomos observando um pouco da vida levada pelos moradores, que observavam o ir e vir de pessoas a partir da varada de suas casas ou até mesmo através de suas mercearias, salões de beleza, lanchonetes etc.

Estrada de acesso à praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Estrada de acesso à praia do Vai-Quem-Quer

Visitantes da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará   
Visitantes da praia do Vai-Quem-Quer
Após trafegar por cerca de 25 minutos por 9 Km, chegamos à entrada da praia do Vai-Quem-Quer através da mesma estrada que passa em frente ao Educandário. Até onde se sabe, a praia recebeu esse nome curioso por ser a mais distante e que possuía um acesso mais complicado. O trecho inicial possui alguns bares/restaurantes e até pousadas, todos muito rústicos, construídos principalmente com madeira e palha. Dali já se tem uma magnífica vista para a Baía do Marajó, que, para os desavisados, pode parecer ser o mar, mas que na verdade é composta por água inteiramente doce e tranquila, quase sem ondas.

Bares da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Bares da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba

Casal e cachorros abandonados na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Casal e cachorros
Por ter ido na baixa temporada – inverno amazônico e sem ser em feriado ou final de semana, a praia estava quase deserta. Só se via uma quantidade de pessoas que poderia ser contada nos dedos, e também os cachorros abandonados que aparentemente podem ser encontrados em qualquer lugar do Pará, principalmente nas praias.  Se não fosse pela música que é tocada nos bares, com destaque para o Reggae e para o Brega local, seria possível escutar apenas o som dos animais que ficam na vegetação do entorno, acima do barranco.

Cabana e vegetação na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará Cabana de madeira na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará



Vale a pena sair caminhando para o  trecho que fica mais à direita, para onde se avista uma ponta cheia de pedras. Até chegar lá, podem ser vistas algumas altas cabanas de madeira utilizadas por pescadores inclusive na época de maré muito alta e também diversas escadinhas artesanais que, construídas barranco acima, facilitam a ligação entre a praia e algumas poucas casas de alguns moradores – ou de veranistas.

Pedras e barracas de pescadores na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Pedras e barracas na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba

Vista a partir do barranco da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Vista a partir do barranco da praia do Vai-Quem-Quer
Prosseguindo com a caminhada, é possível observar que a erosão é intensa no barranco, provavelmente agravada em razão do período chuvoso e de cheia. Muitas árvores, incluindo algumas grandes, pouco a pouco vão caindo, mas isso não consegue tirar a beleza do lugar, que inclusive ainda possui diversas árvores altas, destacando-se uma que fica próxima aos bares e que aparenta ser uma Castanheira. Algo a mais que pode ser observado é a diferença de cor da terra argilosa que pode ser encontrada no barranco. Em um trecho foi possível ver três tonalidades diferentes. Para os adeptos ao “banho de lama”, como o que ocorre em algumas praias que contém falésia do litoral nordestino, seria um prato cheio e certeza de muita diversão.

Barraca na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Barraca na praia do Vai-Quem-Quer
Diferentes tonalidades de argila encontradas no barranco da praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Diferentes tonalidades de argila





















Tempo fechado na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Tempo fechado na praia do Vai-Quem-Quer



Nadar ou simplesmente banhar-se nas águas mornas da praia é uma experiência muito agradável e, no geral, tranquila. O principal cuidado que é dito para se ter é o de entrar na água com os pés sempre grudados ao fundo, para assim espantar possíveis arraias que por lá poderiam estar enterradas e evitar levar uma ferroada, fato que não é tão incomum de acontecer principalmente nas praias de água doce. Fora isso, é possível passar horas dentro da água sem ser incomodado, tendo uma bela vista para a praia vazia ou para a imensa baía do Marajó e algumas de suas ilhas. 

Canoa na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Canoa alagada na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba

Barracas, cachorros e vegetação na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Barracas e cachorros na praia do Vai-Quem-Quer




Apesar de a praia estar vazia, isso não significa que mesmo que o visitante esteja só, que ele fique desacompanhando. Se der sorte, ele poderá ganhar um "filho temporário", ou melhor dizendo, a companhia de um cachorro que poderá escolhê-lo como pai por um dia e virar a sua sombra - mesmo que o sol não se faça presente - inclusive na hora de subir o barranco através das escadas de madeira. Eles apreciam mesmo a companhia humana, e não tente correr, pois eles podem ser mais rápidos.






Barracas de palha na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Sombeiros de palha na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba

Por fim, é importante dizer que visitar uma praia de água doce é uma das experiências mais interessantes que se pode ter na Amazônia. Apesar do estado do Pará também possuir um litoral imenso, cheio de praias voltadas ao Oceano Atlântico, é nas praias fluviais que a população no geral costuma aproveitar o tempo livre principalmente nos finais de semana e nas férias de verão - que lá têm seu auge no mês de julho. Navegar até a ilha de Cotijuba e passear despretenciosamente na praia do Vai-Quem-Quer é um programa altamente recomendável. Não deixe de fazer! ;) 

Cartaz de comida na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Cartaz na praia do Vai-Quem-Quer

Barranco e vegetação na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Barranco na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba

Singela flor na praia do Vai-Quem-Quer, na ilha de Cotijuba, no Pará
Singela flor

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4 comentários:

  1. Muito bom o blog, se tivessem vídeos ficaria mais atrativo ainda!!

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    1. Que bom que gostou, Nagilson! E agradeço a sugestão! :)

      Abraços!

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  2. Alguém sabe me dizer até que horas tem barco de icoaraci pra cutijuba no sábado?
    Trabalho no parque shopping e saio as 19 horas será que dá tempo de pegar um barco.

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    1. Olá, Caio! Não sei te informar os horários. O ideal é que você busque através de algum contato em Icoaraci. Abraços!

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