segunda-feira, 2 de junho de 2014

Encantos de Santarém: encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, com direito a Botos-tucuxi e Vitórias-régias

No Oeste do estado do Pará, na região do chamado baixo Amazonas, está um local popularmente conhecido como "Pérola do Tapajós": a cidade de Santarém. Esse é um dos lugares mais importantes do estado no que diz respeito à economia e, também, às belezas naturais e ao ecoturismo, já que estamos falando de um dos principais destinos visitados por aqueles que desejam visitar a Amazônia e ter um maior contato com a selva e com aqueles que nela vivem. Desta vez, o passeio não será em plena mata, mas em lugares encantadores que podem ser vistos em frente à cidade. Vamos conhecê-los!

Aproveite e acompanhe outras postagens sobre a Amazônia, conferindo relatos e muitas fotos de lindos lugares localizados nos estados do Pará e do Amapá (clique nos nomes para acessar).

Encontro dos rios Amazonas e Tapajós, visto do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, visto do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará - Por Tito Garcez em 2014

    Encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará 
Banhada pelo importante rio Tapajós, águas de outro rio também passam bem em frente ao Centro da cidade, e esse é ainda mais importante: estou falando do monumental rio Amazonas. O mais incrível é que ele não apenas passa por lá, mas acaba por confluir-se com o Tapajós, que nada mais é do que um dos muitos afluentes desse que é o maior rio do mundo. Por falar no Amazonas, ele também foi retratado em outra publicação, que aborda, também, a maior fortificação da América Latina, a Fortaleza de São José de Macapá, localizada na capital do Amapá. Não deixe de conferir clicando aqui!

Vitória-régia em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará, na Amazônia
Vitória-régia em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará

Garça-branca-grande (Ardea alba) no Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Garça-branca-grande (Ardea alba) no Mirante do Tapajós, em Santarém
Espetáculos naturais de encontro de águas de rios com tonalidade diferente, são um tanto comuns na Amazônia, e o mais conhecido é a confluência entre os rios Negro e Solimões, no estado do Amazonas. Contudo, o encontro que é considerado como o mais visível, que pode ser observado das mais diferentes perspectivas, é mesmo o que pode ser visto em Santarém. Praticamente a partir de toda a orla da cidade é possível apreciá-lo. Mas, no Centro, o melhor local para ver o encontro dos gigantes de águas verde-azuladas (Tapajós) e barrentas (Amazonas), aparentemente é o Mirante do Tapajós, que, a partir da orla, pode ser acessado através de uma escadaria.

Visão aérea do rio Amazonas, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Vista aérea do rio Amazonas, em Santarém, no Pará

Vista aérea do encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará
Vista aérea do encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará
O encontro pode ser observado, também, "das nuvens", afinal durante os procedimentos de pouso ou decolagem no aeroporto Maestro Wilson Fonseca, a depender do lado da aeronave onde se esteja (a dica é ficar na esquerda em voos que saíam de Belém), podemos ter uma vista mais ampla, que dá uma ideia da dimensão dos rios e nos faz perceber um fato curioso: por centenas de metros ou por alguns quilômetros, mesmo estando lado a lado, as águas dos rios não se misturam. Isso pode ser explicado pelo fato de que ambas possuem diferentes temperatura, velocidade da correnteza e sedimentação.

Visão aérea do encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará
Visão aérea do encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, em Santarém

Vista do encontro dos rios Amazonas e Tapajós, desde o Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Vista do encontro dos rios Amazonas e Tapajós, desde o Mirante do Tapajós
Apesar do encontro poder ser visto de forma mais ampla a partir de diversos locais, os turistas geralmente preferem vê-lo bem de perto. Para tanto, pode ser contratado um passeio em pequenas lanchas que comportam em média 8 pessoas e que saem do chamado Terminal Turístico, que inclusive fica bem próximo à escadaria de acesso ao Mirante do Tapajós. No terminal, existe também um posto de informações turísticas e algumas banquinhas que vendem artesanato local.  O valor do passeio gira em torno de R$ 50,00 por pessoa. Ah! Não se deve esquecer de levar água - que não é vendida no terminal, mas lá pode ser encontrado um bebedouro - e protetor solar, pois essa região é quente. Aliás, quente não, muito quente! E isso quem diz é alguém acostumado a viver em Aracaju, um lugar conhecido como quente, mas com clima que não se compara ao que pode ser sentido no Oeste do Pará.

Encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, visto do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, visto do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará


O passeio

Após embarcar na lancha no Terminal Turístico, começamos a navegar através do Tapajós e observar a grande movimentação de embarcações, sendo poucas com turistas. A maior parte transporta moradores de comunidades, vilas e cidades próximas, geralmente através de barcos menores. Já as maiores, que podem comportar centenas de pessoas, normalmente vem e vão do estado do Amazonas, do Amapá ou até mesmo de outras cidades do Pará, com destaque para a capital, Belém, que costuma ser acessada principalmente através do transporte fluvial (que dura de 2 a 3 dias) ou do aéreo (de 1 a 2 horas, a depender da aeronave e em voo direto). Por via terrestre, em razão das estradas não serem das melhores e, também, por conta da distância, poucos são os que se arriscam a viajar mais de 1.300 Km, em uma viagem que, feita sem parada, pode durar quase 24h. Para se ter uma ideia, essa distância é superior à que separa a cidade de São Paulo de Brasília ou de Porto Alegre.

Barcos navegam através dos rios Amazonas e Tapajós em frente a Santarém, no Pará, na Amazônia
Embarcações navegam através dos rios Amazonas e Tapajós em frente a Santarém, no Pará

Prosseguindo com o passeio, ao sair do terminal, geralmente a embarcação segue em direção a uma ilha ou ao encontro dos rios. Contudo, se for negociado antes da saída, a dica é pedir ao condutor para fazer uma breve parada em frente ao Mercado do Peixe, que fica em plena orla de Santarém. O motivo da parada é especial: é lá que Botos-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) podem ser vistos facilmente, sobretudo na época de cheia. Mas isso é assunto para outra postagem que será publicada em breve.

Casa localizada em ilha que separa os rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Casa localizada em ilha que separa os rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará

   Mergulhão ou Biguá (Phalacrocorax brasilianus) no rio Tapajós, em frente a Santarém, no Pará, na Amazônia
Mergulhão ou Biguá  no rio Tapajós, em frente a Santarém, no Pará
Quanto mais nos distanciamos da orla de Santarém, mais nos aproximamos do modo de vida tranquilo dos ribeirinhos. Na margem esquerda do Tapajós, começamos a ver algumas pequenas casas que só são acessadas através de pequenas embarcações. Vemos, também, a vegetação abaixo da água, que no período das cheias - que acontece no chamado inverno amazônico, faz o nível dos rios subir e alaga áreas imensas. No horizonte, a única coisa que pode tirar um pouco da tranquilidade de lugares assim, pode ser a passagem de grandes embarcações, principalmente das que transportam cargas, e que nem sempre param no porto de Santarém.

Pato-do-mato (Cairina moschata) em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará, na Amazônia
Pato-do-mato (Cairina moschata) em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará

















Trinta-réis-grande (Phaetusa simplex) em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará, na Amazônia    
Trinta-réis-grande em área alagada de ilha localizada em Santarém, no Pará
Adentrado a área alagada localizada na ilha, o barquinho necessita ir mais devagar, pois boiam por todos os lados pedaços de troncos. E não podemos esquecer que podemos estar passando acima de alguma árvore ou arbusto submerso, então, todo cuidado é pouco. Na flora, envolta de água, vemos facilmente diferentes espécies de aves que buscam em lugares assim, tranquilos, longe da correnteza, um bom local para procurar alimentos. Exemplares de Garça-branca-grande (Ardea alba), Mergulhão - ou Biguá - (Phalacrocorax brasilianus), Trinta-réis-grande (Phaetusa simplex) e Pato-do-mato (Cairina moschata) são algumas das espécies que costumam ser vistas facilmente.

Barco e Vitórias-régias (Victoria amazonica) em área alagada de ilha localiza em Santarém, no Pará, na Amazônia
Barco e Vitórias-régias (Victoria amazonica) em área alagada de ilha localiza em Santarém, no Pará

Após navegar um pouco pela área de águas tranquilas, não demora muito para começarmos a ver um dos ícones da Amazônia: a Vitória-régia, cientificamente conhecida como Victoria amazonica. O tamanho das folhas de fato impressiona, e olha que as que foram vistas não eram das maiores, afinal, o diâmetro máximo pode passar de 2 metros. A estrutura da planta não é muito conhecida pelas pessoas, que geralmente associam as enormes folhas como sendo uma planta cada uma. Na verdade, existe um rizoma - ou caule - que enterrado na terra, possibilita que longas e espinhentas hastes sustentem as folhas, que na face inferior também possuem espinhos para afugentar grandes peixes. Curioso como sou, fiz questão de tocar nas folhas e em seus espinhos, sendo assim, pude notar que apesar de assustarem pelo tamanho, os mesmos não eram dos mais pontiagudos (por sorte!).
   Vitórias-régias (Victoria amazonica) vistas em área alagada de ilha localiza em Santarém, no Pará, na Amazônia
Vitórias-régias vistas em área alagada de ilha localiza em Santarém

Além dos espinhos presentes na face inferior das folhas, foi interessante notar a rede de "nervuras" e de compartimentos de ar que ajudam a dar resistência e fazem com que elas flutuem. Tal aparato pode ser suficiente para fazer com que uma grande folha suporte até 40 quilos, ou seja, facilmente uma criança poderia ser mantida em cima de alguma. É interessante citar que, na região Norte, a Vitória-régia é curiosamente citada em uma conhecida lenda.

Vitórias-régias (Victoria amazonica) em área alagada de ilha localiza em Santarém, no Pará, na Amazônia
Vitórias-régias (Victoria amazonica) em área alagada de ilha localiza em Santarém, no Pará

Costuma-se dizer que uma índia, chamada Naiá, acreditando na lenda de que a Lua - que era considerada um deus chamado Jaci - ao desaparecer do céu, levava moças virgens e as transformava em estrelas; ao se aproximar de um igarapé em determinada noite e se deparar com o reflexo luminoso da Lua Cheia na água, teria se atirado na imagem refletida para tocar no seu deus, pois ela acreditava que ele a estava chamando, mas terminou por morrer afogada. Os integrantes da tribo passaram então a acreditar que Jaci transformou a jovem índia na flor da Vitória-régia, pois a mesma abre sempre à noite, inicialmente com a cor branca - na segunda noite de abertura ela aparece rosa - e muito perfumada.

Barco e tronco no encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Barco e tronco no encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará

Após encontrar as Vitórias-régias, prosseguimos com a navegação, saindo no outro lado da ilha. Deixamos para trás as águas tranquilas da área alagada, para entrar diretamente na correnteza do rio Amazonas. E não demora muito para começarmos a ver outros ilustres habitantes da Amazônia, e que nos fazem companhia no passeio: os Botos-tucuxi. Da mesma família dos Botos-cinza, a principal diferença é que os Tucuxis vivem apenas nas águas doces da região amazônica, diferentemente dos Cinzas, que são encontrados principalmente no litoral brasileiro. Eles podem ser vistos facilmente quando estão caçando, e isso é um enorme indicativo para os pescadores, pois os mesmos podem saber onde encontrar cardumes de peixes. 

Boto-tucuxi, aves trinta-réis-grandes e o encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Boto-tucuxi, aves trinta-réis-grandes e o encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará

Encontro dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, em Santarém, no Pará
Pouco depois do começo do aparecimento dos botos, já estávamos no área do tão esperado encontro dos rios Amazonas e Tapajós, e a verdade é que não sabíamos para onde olhar. Ora apreciávamos a diferença de tonalidade que se descortinava à nossa frente, ora observávamos os botos e tentávamos adivinhar onde voltariam a submergir ou ora olhávamos para o horizonte, para ver um pouco mais da cidade de Santarém. E assim chegava ao fim uma agradável manhã de passeios, que possibilitou o encontro com três dos principais ícones amazônicos, sendo eles os botos, as Vitórias-régias e o monumental rio Amazonas, sem esquecer, é claro, do bônus que foi poder ver esse famoso rio sendo "abraçado" pelo Tapajós, tão importante para essa região do Pará. Lembranças para jamais esquecer! ;)

Vista de Santarém, de boto-tucuxi e do encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, no Pará, na Amazônia
Vista de Santarém, de boto-tucuxi e do encontro entre os rios Amazonas e Tapajós, no Pará

Barco e vista dos rios Amazonas e Tapajós, a partir do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará, na Amazônia
Barco e vista dos rios Amazonas e Tapajós, a partir do Mirante do Tapajós, em Santarém, no Pará

Aproveite e acompanhe outras postagens sobre a Amazônia, conferindo relatos e muitas fotos de lindos lugares localizados nos estados do Pará e do Amapá (clique nos nomes para acessar).  

6 comentários:

  1. Parabéns pela matéria, instigou-me a pesquisar mais sobre o estado.

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    1. Obrigado, Carlos Eduardo! Fico contente por ter conseguido causar tal desejo.

      Abraços!

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  2. Parabéns Tito, conseguiu captar com beleza e sensibilidade a nossa Santarém!

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  3. Ótimo relato e belos registros, Tito! Todo brasileiro deveria conhecer a Amazônia!

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    1. Tem razão. Todo mundo tem que, ao menos uma vez, visitar essa região.

      Muito obrigado! ;)

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